Thursday, January 12, 2006

Fechei-te os olhos...

Stefano Cattelan

Fotografia | Stefano Cattelan

Fechei-te os olhos. Uma vez mais, e espero que a última. Sofria demais às tuas mãos se continuasse aqui. Não quero ser aquela boneca que tu pensaste que eu era.

Não sou. Ponto. Não sou. E se não percebes, é porque os dias para ti sempre foram escuros e cheios de cheiros esquisitos, cheiros sólidos.

E que as paredes de onde saí, de onde me arranquei com pés de cabra e com gruas e com alavancas, são esse passado para que tendo a sempre cair.

Encosto-me às paredes, para evitar que me dês um tiro pelas costas. Sempre foi assim que me fizeste apaixonar por ti. Sem que eu soubesse, sem que eu sentisse. É sempre um tiro silencioso, à queima-roupa. Parece que evitas olhar-me, quando me tocas. E quando partes – quem dera partisses de vez – deixas uma queimadura de 3 dedos (3 dedos disformes e invisíveis) e essa mão tacteante de expectativa e de dor, e que impõe a sua vontade…

Sim, eu também sou escrava do meu próprio querer. Dói saber como te podia amar, daquela maneira deliciosa e difícil, mas serena de amar, em que se dá o que se tem, sem inventar. Queria amar-te com todos os sentidos, mas fico mais pedra de cada vez que alimento paixões.

Hoje não é dia de discussões. É dia de fotografar a paixão, serenamente, sem pensar num amanhã.

Guiomar

1 Comments:

At 17/1/06 03:57, Blogger Phillypa Warner said...

Adorei o teu Blog...
Estou sem palavras para comentar este post... Sabes a sensação estranha (que tanto pode ser boa como má, mas estranha porque não a sabemos catalogar) de que há mais alguém no mundo a sentir o mesmo que nós? Pronto. Foi isso que eu senti...
Adorei a foto, a dorei o texto... Adorei o espaço...

 

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