Friday, January 20, 2006

Nunca fui pessoa de insónias

Hans Neleman
Fotografia | Hans Neleman

Nunca fui pessoa de insónias. Dormir é um daqueles prazeres graciosamente oferecidos pela vida. E hoje, contudo, o sono quer fugir. Não sei que reflexões preciso de fazer, mas não é hoje que consigo pensar. E, neste momento, a insónia é o pior castigo que podia ter.

O calor das tuas mãos sedimenta-se nos meus ombros, e, mesmo assim, sei que, apesar de imaginária e de, normalmente, resultar como terapia, hoje está a ser inútil. Passo pelo sono como se voasse, estando mais perto de permanecer acordada, na inércia dos dias inúteis. Sim, porque, apesar de as pestanas recusarem contacto prolongado, os abismos aprofundam-se debaixo dos meus olhos.

Mesmo que ouvisse o rumor do mar, como canção de embalar, precisava de mais algo. Talvez uma droga qualquer, comprada na farmácia, me ajudasse a ceder aos encantos de Hipnos. Mas não sinto as mãos, não sinto o corpo, mesmo sem sono. E sonho acordada, enquanto tento dormir.

Não, estares aqui seria muito pior. És agora um ser indistinto, e, neste momento, não sei sequer quem és na minha vida. Hoje não posso pensar. Não quero sentir esse peso. Hoje só sou pequenina e caibo na palma da minha mão.

Guiomar

0 Comments:

Post a Comment

<< Home