Quando te matar, vai ser de punhal de prata e dentes cerrados

Fotografia | Serge Krouglikoff
Acordei-me furioso. E tu não estavas lá, para variar. Acordei-me furioso e quis saber se o que querias de um homem era tudo menos eu. Quis sentir-te, e que sentisses o calor das minhas mãos nos teus ombros e os meus lábios na tua boca gulosa. Quando ainda era tempo desse amor, quando ainda éramos felizes. E sentir o teu respirar na minha travesseira e no meu pescoço. Mergulhar o nariz no teu pescoço e nos teus cabelos soltos e suaves na almofada e sentir o teu aroma, sempre presente no meu corpo e na minha mente. Tu entranhada até ao âmago da minha alma… sempre, sempre minha…. Sempre escura em mim, sempre densa. Sempre amarga, quando partias. Mas sempre algo. Sempre fisificada em mim, em nós!
Volto a deitar-me. Mais calmo, mas a ranger os dentes. Mas decidido. Quando te matar, vai ser de punhal de prata e dentes cerrados. Prometo.
Bernardo

2 Comments:
"A Volúpia suprema do Amor reside na certeza de fazer o Mal. Desde que nascem, o homem e a mulher sabem que é no Mal que vive a Volúpia", dizia (mais ou menos traduzido) Baudelaire...
...Quando eu morrer, que seja de punhal de prata e coração de chumbo...
Gosto de te ler...
Carina
vejo que escreves bem, gostei de ler, esta muito forte e ao mesmo tempo tao leve tao... gostei mesmo de ler.
beijos Ruca
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