As massas humanas impressionam-me

Fotografia | Stewart Ferebee
As massas humanas impressionam-me. Sinceramente, sim, muito sim.
Os dias sucedem-se em dilemas prescritivos da razão. Os dias não são dias até serem concretizados – absolutamente concretizados – e finitos em si mesmos. E a noite chega.
Nas estações de comboio, no entanto, existe uma constante semi-obscuridade que congela as acções no tempo. E faz dos dias (concretizados e por concretizar) noites perpétuas, semi-obscuras sob o telhado protector. E todo o aço e a transparência opaca do teu coração.
As massas em correria fascinam-me ainda mais. Despoleta-se um número (físico ou nem por isso), seja qual for a natureza, e a massa humana corre. É a ganância inata dos seres humanos. Como a minha ganância inata – intrincada, selvática e inutilmente reprimida – que me fez perder-te. E que me fez não ver além do escudo protector do teu coração.
Reflectes-te nos tectos espelhados da carruagem. Quando seguro a tua pele que sobrou nas minhas unhas, de te ter arranhado, tentado agarrar quando tu já não eras senão sombra e luz no chão do meu quarto, percebo que o passado que tu foste em mim, ainda lateja sob a minha pele.
Hoje vou fugir mais um pouco. Das tuas memórias e do teu calor na minha cama. Fugir-te é ignorar-te. Mas só mais um dia é o ideal para te esquecer. Um sábado à noitinha. No escurinho do cinema, de mãos dadas e rostos colados…
(lamento as insónias… já não podes ser pequenina na minha mão.)
Bernardo

1 Comments:
Fascinei!!
Sao tranbulhões de sentimentos e sensações..um misto de cores cinzas..um tanto obscuro, um tanto luminoso...
Talvez como na linha do comboio..um principio de tunel ou o seu fim...
É só para dizer que já esta nos meus favoritos...e que agora de férias vou revirar este blog do avesso e ler até o que nao diz explicitamente..;)
Continuem..
As partes do Bernardo, fico sem algo para dizer..
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