Thursday, March 02, 2006

Chamar por ti seria o quebrar de um encantamento



Fotografia | Angelo Cavalli

Nestes dias amadureci os pensamentos. Como um fruto pronto a colher. Pensei que te conhecia, mas nos dias que passam desde que viajas, e que eu mudei de ares para estar longe de ti, parece que te redescubro sempre, a cada palavra.

Sei que estás à beira mar; és como eu. Parece que o azul infindável nos aproxima sempre mais. E, se calhar por isso, as ideias que trocamos são sempre tão parecidas a esse real que, afinal, não existe. Queria abraçar esse teu corpo macio, com cheiro a frutos silvestres, e deixar em ti um beijo suave e doce, envolvido em areia e água salgada. E ficar a olhar-te, infinitamente, enquanto dormes, era um dos meus grandes prazeres. Lembras-te quando procuravas a minha mão, na tua cama de lençóis coloridos? Queria chamar pela tua graça, mas hoje seria perto demais. E ainda assim, acho que estás aqui, ao meu lado, e chamar por ti seria o quebrar de um encantamento baseado no silêncio.

Bernardo

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