Wednesday, July 19, 2006





Mocky Featuring Leslie Feist | Fighting Away The Tears

Mocky :
Fighting away the tears
Fighting away the tears
I've been holding on for years
Fighting away the tears

Feist :
I woke up in the middle of the night
Dreaming I had you by my side
You saw my hair look like a bird's nest
I swear I'll make you forget all the rest

Then I saw that I was all alone
Your location, I did not know
It was a dream, nothing more, nothing less
I guess there's still a couple things I regret
That's why I'm

Fighting away the tears
Fighting away the tears
Holding on for years
Fighting away the tears

Mocky :
My tears fall like rain drops
The years passed like pills pop
Like smoke in my eye
Like pigs, they don't fly
Like Santa he don't care
My rainbow's gone nowhere
The sound of your voice
Replaced by white noise
I don't want time to erase
My memories of your face
That's why I keep on fighting
That's why I keep providing
Goosebumps in my song writing

Feist :
Fighting away the tears
Fighting away the tears
Holding on for years
Fighting away the tears

Oh, don't you worry
I'll keep on fighting
I'll keep on calling your name in my dreams

Mocky & Feist :
In my dreams (in my dreams)
In my dreams (in my dreams)
In my dreams (in my dreams)

Feist & Mocky :
Fighting away the tears
Fighting away the tears
And I've been holding on for years
Fighting away the tears

Guiomar

Sunday, July 09, 2006

amo-te.

amo-te. amo-te cada vez mais quanto mais perto fico do abismo. agarro-me aos pedaços de ti que deixaste para trás – despidos do corpo e da alma que eu julguei serem inteiros – e agarrei-me com unhas e dentes e alma a ti. esperneio até me segurar a ti. até te sentir aqui, mais perdida, sempre, como eu.


perdoa-me não te ter. perdoa-me ter-te mandado embora, quando precisava de ti para sobreviver. este é só mais um dia de stress emocional, de quando emerjo da cortina da ilusão.

o teu Rodrigo

Tuesday, June 27, 2006





SÓ PRECISO DE ADORMECER NOS TEUS BRAÇOS!
(é pedir demais?)




Rodrigo

Monday, June 19, 2006

Sei que isto não é o amor

Queria ver se as minhas mãos encaixavam nas tuas. Abri um buraco na tua alma, perfurei a dor nos teus olhos e deixei um ósculo salgado nos teus lábios. Sim, o sal é das lágrimas que chegaram à minha boca. E que bebi com sofreguidão.

Recordo vagamente o teu cheiro, quando há mentiras que eu digo e que não colam. E porque me minto a mim mesma, fingindo não reconhecer essa pressão dos teus lábios contra a minha pele.

Sim, reconheço. É óbvio que reconheço. E o meu corpo, a minha pele denunciam-me. Descaradamente, com um arrepio contínuo e insultuoso. Quem dera o meu corpo não fosse tão traidor da minha alma. Mas será que eu era mais feliz com isso? Ou por isso?

Surpreende-me o dia a dia das nossas memórias. E como elas insistem. Em ser, aparecer, fingir ser. Fingir manter uma realidade a-realista, irrealista, improvável. Irreal.

Basicamente, falta-me a paixão que descongela os corações. Se calhar, sofro da pseudo-intelectualidade que congela o amor. Sofro da ausência de impulso apaixonado que move o mundo. Se calhar não sei o que é o amor. Sei que isto não é o amor.

Guiomar

Friday, June 16, 2006

Prendo-me a pormenores

Eu prendo-me a pormenores, minha cara Guiomar. Quando tu fechas os olhos, nos meus sonhos, e respiras sobre mim o teu hálito quente, e me abraças, como se eu fosse todo teu e tu toda minha, eu sinto-te aqui. Mesmo quando durmo sozinho e a cama não fica quente do teu lado. Quisera eu perder tempo a observar-te, mas tu dizes que o tempo que temos, em que ambos não estamos juntos acordados, é para dormirmos juntos acordados, adormecidos.

Tens uma filosofia estranha de vida. Mas eu perco-me nos teus pormenores. E não sei se me apaixonei por ti, ou pelos teus olhos, ou pela tua boca deliciosa, que se entreabriu enquanto fazias um esgar de esforço, para colocar a máquina fotográfica numa posição de malabarista.

Hoje sonhei-te. Sonhei-nos. E sonhei-te comigo, no chão. Enquanto te despia, ouvia a tua respiração no meu ouvido, a tua mão quente a apertar a carne do meu braço, os teus gemidos a ressoar por ti toda e por mim todo. Sonhei-te, só, e é como se tivesses sido mais real do que de todas as outras vezes. Quando ia mergulhar no teu sexo, acordei. Talvez com medo que esse prazer fosse mais real do que o real que não imaginámos juntos.

Rodrigo

Sunday, June 04, 2006

Fogem-te, por entre os dedos

O teu amigo tb fala na minha boca....
 Carpe Diem | Nuno Júdice
 Confias no incerto amanhã? Entregas
às sombras do acaso a resposta inadiável?
Aceitas que a diurna inquietação da alma
substitua o riso claro de um corpo
que te exige o prazer? Fogem-te, por entre os dedos,
os instantes; e nos lábios dessa que amaste
morre um fim de frase, deixando a dúvida
definitiva. Um nome inútil persegue a tua memória,
para que o roubes ao sono dos sentidos. Porém,
nenhum rosto lhe dá a forma que desejarias;
e abraças a própria figura do vazio. Então,
por que esperas para sair ao encontro da vida,
do sopro quente da primavera, das margens
visíveis do humano? "Não", dizes, "nada me obrigará
à renúncia de mim próprio --- nem esse olhar
que me oferece o leito profundo da sua imagem!"
Louco, ignora que o destino, por vezes,
se confunde com a brevidade do verso.
Guiomar

Tuesday, April 04, 2006

Não se encontra no curso previsível da vida

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Fotografia | Eva Mueller

Pelas palavras do Nuno Júdice , te digo....

“Nunca são as coisas mais simples que aparecem
quando as esperamos. O que é mais simples,
como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se
encontra no curso previsível da vida. Porém, se
nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos
nos empurrou para fora do caminho habitual,
então as coisas são outras. Nada do que se espera
transforma o que somos se não for isso:
um desvio no olhar; ou a mão que se demora
no teu ombro, forçando uma aproximação
dos lábios.”

o (já) teu
Rodrigo

Às vezes dou por mim quieta

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Fotografia | Katrina Wittkamp

Às vezes dou por mim quieta, no silêncio da tua respiração, e tudo o que há de palpável são os batimentos sincopados do meu coração. Os meus olhos percorrem a realidade afectada pela dor. Por mais que eu tente, não posso deixar de ter pena de ti e de todos os que, como tu, vivem apartados dessa realidade insensível e dorida que é o não amar.

Fechei-te os olhos, uma vez, mas sem te tocar. No Porto é sempre Abril. E quando eras novo e despretensioso, devias ser leve e engraçado como a criança que passou por mim. Mas chove. E tu choves jorrilhos de coisas sem nexo que eu finjo entender.

Vejo-te em capas de livros de banda desenhada. E sei que todos os meus pensamentos te parecem descompassados, aleatórios e desconexos. Mas em mim há toda uma filosofia coerente de viver a vida de forma desordenada. Não peco nem te perco por isso, julgo eu. Julgava eu, antes de te ver, quando esse teu eu era uma ligação etérea de pensamentos (e não de corações) de uma pessoa indistinta. Falo como se te conhecesse desde sempre e esperasse por ti há muito.

Estou sozinha no comboio. Sim, certamente há mais cem pessoas como eu, sentadas nos bancos vermelhos dos suburbanos. Pela primeira vez me espacializo em S. Bento. Apesar de sombria, esta estação tem um qualquer tipo de loucura deprimente e extasiante. Na placidez mórbida dos chãos de cimento e das traves de aço, há qualquer coisa mais humana. Fecho os olhos. E as mãos em torno do ar que se levanta, contorcido, do meu corpo. Quem és tu, realmente?

Guiomar